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Amostra grátis da apostila Curitiba 2026: Agente Administrativo

Atualizado em 07/11/2026 · por Mateus Vazzoller, ESCUDO Concursos

Esta é uma amostra do curso em PDF Curitiba 2026: Agente Administrativo: a apresentação da apostila, como a prova funciona e 10 questões com gabarito comentado, do jeito que estão no material.

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Como é a prova e como usar esta apostila

O programa de Língua Portuguesa do Edital Normativo nº 4/2026 abre pelo item 1.1.2, que trata da comunicação e das variações linguísticas. É um tópico de vocabulário técnico: quase toda questão se resolve sabendo o nome exato do elemento, da função ou do tipo de variação. A Fundação FAFIPA costuma dar uma situação banal, uma placa, um anúncio, uma fala de rua, um verbete de dicionário, e pedir a classificação certa. Quem sabe reconhecer o fenômeno mas não sabe nomeá-lo perde a questão.

Mapa do capítulo

Comunicação, linguagem e variações linguísticas

  • Processo de comunicação
    • seis elementos: emissor, receptor, mensagem, código, canal, referente
    • canal é meio físico; código é sistema de signos
    • ruído: tudo que prejudica a transmissão
  • Língua, linguagem e fala
    • linguagem: capacidade de usar signos, verbal ou não verbal
    • língua: sistema social e estável
    • fala: uso individual e concreto
  • Funções da linguagem
    • cada função se centra em um elemento
    • vale a função predominante
  • Variações linguísticas
    • diatópica, diastrática, diafásica, diacrônica
  • Níveis e preconceito
    • formal x informal conforme a adequação
    • gíria, jargão, regionalismo, gerundismo

O processo de comunicação e seus seis elementos

Comunicar é transmitir uma mensagem de alguém para alguém por meio de um código compartilhado. Quando esse percurso se completa, dizemos que houve comunicação; quando falha, houve ruído. O modelo que as bancas cobram tem seis elementos, e vale fixar cada um por uma pergunta simples.

Elemento Pergunta que o identifica Exemplo
emissor quem produz a mensagem? o servidor que redige o ofício
receptor a quem a mensagem se dirige? o cidadão que recebe a notificação
mensagem o que é dito? o conteúdo do ofício
código em que sistema de signos? a língua portuguesa escrita

Faltam dois, que ficaram fora da tabela apenas para respeitar o limite de colunas. O canal, também chamado de contato, é o meio físico por onde a mensagem circula: o papel, o telefone, o correio eletrônico, a voz no ar. E o referente, também chamado de contexto, é o assunto de que a mensagem trata, aquilo a que ela se refere no mundo.

A confusão que a banca explora é entre canal e código. Canal é meio físico, código é sistema de signos. Numa ligação telefônica, o canal é a linha telefônica e o código é a língua falada. Num cartaz, o canal é o próprio cartaz e o código pode ser verbal, não verbal ou os dois ao mesmo tempo.

Chama-se ruído tudo aquilo que prejudica a transmissão: um barulho externo, uma letra ilegível, uma palavra técnica que o receptor desconhece, um mal-entendido cultural. O ruído não é apenas sonoro; ele pode ser físico, semântico ou psicológico.

⚠️ Pegadinha: a banca troca canal por código. Se a pergunta é "por onde a mensagem circula?", a resposta é canal (papel, linha telefônica, ar). Se é "em que sistema de signos?", a resposta é código (a língua, o desenho, o gesto). Numa placa de trânsito, o canal é a própria placa e o código é o desenho mais a palavra.

Língua, linguagem e fala

Três conceitos que parecem sinônimos e não são.

Linguagem é a capacidade humana de se comunicar por signos, em qualquer sistema. Existe linguagem verbal, que usa a palavra, e linguagem não verbal, que usa imagem, gesto, cor, som, sinal de trânsito. Quando as duas se combinam no mesmo texto, como no cartaz que traz desenho e frase, fala-se em linguagem mista ou híbrida.

Língua é o sistema de signos de uma comunidade, socialmente partilhado e relativamente estável: o português, o guarani, o inglês. Ninguém inventa sozinho a língua, e ninguém a modifica por decisão individual.

Fala é a realização concreta e individual da língua, o uso que cada pessoa faz do sistema em cada situação. É na fala que a língua se transforma, lentamente, até que a mudança seja incorporada pela gramática.

As funções da linguagem

Toda mensagem tem uma intenção dominante, e cada intenção corresponde a uma função da linguagem, associada a um dos elementos da comunicação.

  • Função emotiva ou expressiva: centrada no emissor. Predominam a primeira pessoa, as exclamações e as marcas de subjetividade. É a função do diário, da carta pessoal, do desabafo.
  • Função referencial ou denotativa: centrada no referente. Informa de modo objetivo, em terceira pessoa, sem juízo de valor. É a função da notícia, do relatório, do verbete enciclopédico.
  • Função conativa ou apelativa: centrada no receptor. Quer convencer, influenciar, mandar. Predominam o vocativo e o imperativo. É a função da propaganda e da campanha institucional.
  • Função fática: centrada no canal. Serve para abrir, testar ou manter o contato, e não para informar. São exemplos "alô", "está me ouvindo?" e a conversa sobre o tempo no elevador.
  • Função metalinguística: centrada no código. O código explica a si mesmo. O dicionário é o exemplo clássico, assim como a gramática que fala da língua e o filme que fala de cinema.
  • Função poética: centrada na mensagem. O modo de dizer importa tanto quanto o que se diz. Aparece na literatura, mas também em slogans e manchetes trabalhadas.

As funções não se excluem. Num anúncio de vacinação há função conativa dominante, mas pode haver função referencial nos dados e função poética no bordão. A questão pergunta pela função predominante, e é esse adjetivo que decide a resposta.

  • Emotiva (centrada no emissor): diário; carta pessoal; desabafo; primeira pessoa
  • Referencial (centrada no referente): notícia; relatório; verbete; terceira pessoa
  • Conativa (centrada no receptor): propaganda; campanha; ordem; vocativo e imperativo
  • Fática (centrada no canal): alô; está me ouvindo?; conversa de elevador
  • Metalinguística (centrada no código): dicionário; gramática; filme sobre cinema
  • Poética (centrada na mensagem): poema; slogan; manchete trabalhada

⚠️ Pegadinha: a pergunta é sempre pela função predominante. Um anúncio de vacina informa dados (referencial) e tem bordão rimado (poética), mas o que domina é convencer o receptor: conativa. Não marque a função que aparece, marque a que manda no texto.

💡 Dica: para achar a função, pergunte primeiro "o texto quer fazer o quê?" e depois "para quem ou para o quê ele aponta?". Dicionário aponta para o código; "alô" aponta para o canal; "compre agora" aponta para o receptor.

As quatro variações linguísticas

A língua não é uniforme. Ela varia conforme o lugar, o grupo social, a situação e o tempo. A classificação que a prova cobra tem quatro entradas, e cada uma tem um nome técnico e um nome comum.

Variação diatópica ou geográfica. Decorre do espaço. É o sotaque, o vocabulário regional, a construção típica de uma área. O mesmo pão recebe nomes diferentes em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Rio Grande do Sul. Em Curitiba, "piá" e "vina" são exemplos correntes dessa variação.

Variação diastrática ou social. Decorre do grupo a que o falante pertence: faixa etária, escolaridade, profissão, classe. As gírias juvenis e os jargões profissionais entram aqui. O médico que fala em "quadro álgico" e o mecânico que fala em "folga do cabeçote" usam jargões, isto é, vocabulários próprios de um grupo profissional.

Variação diafásica, de registro ou situacional. Decorre da situação de comunicação. A mesma pessoa fala de um jeito na audiência e de outro na mesa do almoço. É a variação que sustenta a noção de adequação: não existe registro certo em abstrato, existe registro adequado àquela situação.

Variação diacrônica ou histórica. Decorre da passagem do tempo. O percurso de "vossa mercê" até "vosmecê", "você" e "cê" mostra a língua se transformando ao longo dos séculos. Também é diacrônica a mudança de sentido de palavras como "vilão", que já significou apenas habitante da vila.

  1. A diferença vem do lugar onde o falante vive (piá, vina, sotaque)? -> Diatópica
  2. Vem do grupo social, da idade ou da profissão (gíria, jargão)? -> Diastrática
  3. Vem da situação: a mesma pessoa fala diferente na audiência e no almoço? -> Diafásica
  4. Vem da passagem do tempo (vossa mercê, você, cê)? -> Diacrônica
  5. Nenhuma das quatro: releia se o enunciado trata mesmo de variação

🧠 Mnemônico: os radicais gregos dizem o que cada variação mede. Diatópica traz topos, lugar. Diastrática traz estrato, camada social. Diafásica traz fala, a situação em que se fala. Diacrônica traz cronos, tempo. Quatro variações, quatro radicais, um para cada.

⚠️ Pegadinha: a banca troca diafásica por diacrônica e faz as duas parecerem a mesma coisa. Diafásica é a situação (formal ou informal, no mesmo momento da história); diacrônica é o tempo (a língua de hoje contra a de séculos atrás).

🎯 Como cai: o perfil da FAFIPA (Português) mostra que a banca exige o nome técnico do fenômeno, e aqui isso significa chamar a variação pelo termo exato: diatópica, diastrática, diafásica ou diacrônica. Em assertivas numeradas, costuma adulterar só uma, trocando o fator da variação.

Níveis de linguagem e o preconceito linguístico

Dentro da variação de registro, distinguem-se dois níveis principais.

O nível formal ou culto observa a norma-padrão: concordância completa, colocação pronominal conforme a gramática, vocabulário preciso, período bem construído. É o nível exigido no documento oficial, na prova discursiva e na entrevista de emprego. "Comprei-o ontem" pertence a esse nível.

O nível informal, coloquial ou popular privilegia a espontaneidade e a proximidade. Admite reduções, repetições, gírias e construções que a norma-padrão não abona, como "comprei ele ontem". Não é um nível inferior, e sim outro registro, apropriado a outra situação.

Daí decorre uma noção que a banca gosta de cobrar pelo nome: o preconceito linguístico é a desqualificação social de quem fala uma variedade diferente da prestigiada. A linguística descreve as variedades sem hierarquizá-las; a gramática normativa prescreve uma delas, a norma-padrão, para os usos formais. As duas coisas convivem, e afirmar que uma variedade regional é "errada" confunde adequação com correção.

Vale distinguir ainda três realizações vizinhas que caem juntas:

  • Gíria: vocabulário de um grupo, em geral jovem, marcado pela criatividade e pela rápida renovação.
  • Jargão: vocabulário técnico de uma profissão ou de uma área do saber.
  • Regionalismo: palavra ou construção própria de uma região.

E há o caso do gerundismo, construção do tipo "vou estar encaminhando o processo", que a norma culta rejeita porque o gerúndio indica ação em curso e o enunciado pretende falar de um fato futuro e pontual. A forma adequada é "vou encaminhar" ou "encaminharei".

Não confunda

Vizinhos Onde a banca mistura Como separar
Canal e código os dois "transportam" a mensagem canal é o meio físico (papel, telefone); código é o sistema de signos (a língua, o desenho)
Linguagem, língua e fala parecem sinônimos linguagem é a capacidade de usar signos; língua é o sistema social; fala é o uso individual
Função fática e função conativa as duas se dirigem ao interlocutor fática cuida do canal (alô, está me ouvindo?); conativa quer influenciar o receptor
Variação diafásica e diacrônica "fase" lembra "tempo" diafásica é a situação; diacrônica é o tempo histórico
Gíria, jargão e regionalismo os três são vocabulário "diferente" gíria é de grupo, em geral jovem; jargão é de profissão; regionalismo é de região
Adequação e correção "formal é certo, informal é errado" não há registro certo em abstrato: o adequado à situação é o correto

Questão comentada

Questão (estilo FAFIPA, com lacunas). Ao atender uma ligação e dizer "Alô? Está me ouvindo bem?", o servidor busca verificar se a ligação funciona. Nessa fala, predomina a função da linguagem ________, centrada no ________.

  • (A) emotiva; emissor
  • (B) conativa; receptor
  • (C) referencial; referente
  • (D) metalinguística; código
  • (E) fática; canal

Resolução passo a passo.

  1. O que o enunciado pede. Duas lacunas que precisam combinar: o nome da função e o elemento da comunicação em que ela se centra.
  2. Onde está a regra. Cada função da linguagem se centra em um elemento. A que serve para abrir, testar ou manter o contato é a fática, e o elemento que ela cuida é o canal.
  3. Aplicação. O servidor não informa nada nem tenta convencer: só verifica se o meio por onde a voz passa está funcionando. Isso é o traço da função fática, centrada no canal.
  4. Conferência. Relido o par, "fática" com "canal" é o único em que função e elemento correspondem ao que a fala faz.

Gabarito: E.

Por que cada distrator erra.

  • A) emotiva; emissor: o par é coerente entre si, mas a fala não exprime sentimento nem subjetividade do emissor.
  • B) conativa; receptor: quem tenta convencer ou mandar usa imperativo e vocativo. Aqui há só um teste de contato.
  • C) referencial; referente: exigiria informar algo sobre o mundo, e a pergunta não informa nada.
  • D) metalinguística; código: exigiria que a fala explicasse a própria língua, como num dicionário.

Revisão relâmpago

  • Seis elementos da comunicação: emissor, receptor, mensagem, código, canal e referente.
  • Canal é meio físico; código é sistema de signos. Ruído é tudo que prejudica a transmissão.
  • Linguagem é a capacidade; língua é o sistema social; fala é o uso individual.
  • Funções e elementos: emotiva (emissor), referencial (referente), conativa (receptor), fática (canal), metalinguística (código), poética (mensagem).
  • A questão pede a função predominante, não a que aparece de passagem.
  • Variações: diatópica (lugar), diastrática (grupo social), diafásica (situação), diacrônica (tempo).
  • Gíria é de grupo, jargão é de profissão, regionalismo é de região.
  • O registro formal segue a norma-padrão; o informal é outro registro, não um registro inferior. O critério é a adequação.
  • Preconceito linguístico é desqualificar quem fala uma variedade diferente da prestigiada.
  • Gerundismo ("vou estar encaminhando") é rejeitado pela norma culta: use "vou encaminhar".

Teste de memória

  1. Qual é a diferença entre canal e código? Canal é o meio físico por onde a mensagem circula; código é o sistema de signos em que ela é escrita.
  2. Qual função se centra no canal? A função fática, que abre, testa ou mantém o contato.
  3. Qual variação decorre do período histórico? A diacrônica.
  4. Gíria e jargão são variação de que tipo? Social, ou diastrática: a gíria de um grupo, em geral jovem, e o jargão de uma profissão.
  5. O que é preconceito linguístico? Desqualificar socialmente quem fala uma variedade diferente da prestigiada.
  6. Por que "vou estar encaminhando" é rejeitado pela norma culta? Porque o gerúndio indica ação em curso e o enunciado fala de fato futuro e pontual; o certo é "vou encaminhar".

Questões

Questão 1. A respeito dos elementos do processo de comunicação, o meio físico por onde a mensagem circula entre o emissor e o receptor denomina-se:

  • (A) código.
  • (B) canal.
  • (C) referente.
  • (D) mensagem.
  • (E) repertório.

Questão 2. À luz do estudo das variações linguísticas, analise as afirmativas a seguir.

I. A variação diatópica decorre da região geográfica em que vive o falante.

II. A variação diastrática decorre do grupo social a que o falante pertence.

III. A variação diafásica decorre do período histórico em que a língua é usada.

IV. A passagem de "vossa mercê" a "você" ilustra a variação diacrônica.

Está correto o que se afirma em:

  • (A) I e II, apenas.
  • (B) II e III, apenas.
  • (C) I, III e IV, apenas.
  • (D) I, II e IV, apenas.
  • (E) I, II, III e IV.

Questão 3. Acerca das funções da linguagem, o verbete de dicionário que define uma palavra por meio de outras palavras da mesma língua realiza predominantemente a função:

  • (A) emotiva.
  • (B) conativa.
  • (C) fática.
  • (D) metalinguística.
  • (E) poética.

Questão 4. Tendo por norte a relação entre norma-padrão e variedades linguísticas, assinale a alternativa INCORRETA.

  • (A) A norma-padrão é a variedade de maior prestígio social e a exigida na redação de documentos oficiais.
  • (B) Gírias e jargões são manifestações de variação social, ligadas respectivamente a grupos etários e a grupos profissionais.
  • (C) A variedade regional de uma comunidade configura erro de língua, por afastar-se da gramática normativa.
  • (D) A adequação ao contexto é o critério que orienta a escolha entre o registro formal e o informal.
  • (E) O nível coloquial privilegia a espontaneidade e a proximidade entre os interlocutores.

Questão 5. Uma placa de sinalização da Prefeitura reúne o desenho de um pedestre atravessando a via e a palavra "atenção". Quanto ao código empregado, essa placa exemplifica linguagem:

  • (A) mista, por reunir o código verbal e o código não verbal.
  • (B) não verbal, porque a imagem prevalece sobre a palavra escrita.
  • (C) verbal, porque a palavra escrita basta para o entendimento da placa.
  • (D) metalinguística, porque o código utilizado explica a si mesmo.
  • (E) fática, porque a placa se limita a manter o contato com o leitor.

Gabarito comentado

1. B. Canal, também chamado de contato, é o meio físico por onde a mensagem trafega, como o papel, o cabo telefônico ou o ar. A opção que fala em código erra porque código é o sistema de signos empregado, e não o suporte; referente é o assunto tratado; mensagem é o próprio conteúdo transmitido; e repertório, conjunto de conhecimentos prévios do interlocutor, não integra a lista dos seis elementos cobrados.

2. D. As afirmativas I, II e IV estão corretas: a variação geográfica se chama diatópica, a social se chama diastrática e a mudança de "vossa mercê" para "você" é caso típico de variação diacrônica. A afirmativa III é a adulterada, porque a variação diafásica decorre da situação de comunicação, isto é, do registro, e não do período histórico, que corresponde à variação diacrônica. Por isso ficam fora as combinações que incluem a terceira afirmativa e também a que retém apenas as duas primeiras.

3. D. A função metalinguística ocorre quando o código é usado para explicar o próprio código, e o dicionário é o exemplo clássico, pois define palavras da língua portuguesa por meio de outras palavras da língua portuguesa. A opção que fala em função emotiva erra porque essa função se centra nos sentimentos do emissor; a conativa se dirige ao receptor para persuadi-lo; a fática apenas mantém o canal aberto; e a poética põe o foco no modo de construir a mensagem.

4. C. Dizer que a variedade regional configura erro de língua é exatamente o que a descrição linguística rejeita: variedade regional é forma de variação diatópica, plenamente sistemática, e o que se avalia é a adequação ao contexto, não a correção intrínseca. As demais afirmações são verdadeiras, pois a norma-padrão é de fato a variedade prestigiada e exigida nos documentos oficiais, gíria e jargão são manifestações de variação social, a adequação orienta a escolha do registro e o coloquial privilegia a espontaneidade.

5. A. A placa reúne imagem, que é código não verbal, e palavra escrita, que é código verbal, configurando linguagem mista ou híbrida. Classificá-la apenas como não verbal ignora a palavra presente, e classificá-la apenas como verbal ignora o desenho, que carrega parte essencial da informação. A resposta que invoca a metalinguagem confunde código com explicação do código, e a que invoca a função fática atribui à placa a mera manutenção de contato, quando ela transmite conteúdo e orienta conduta.

10 questões comentadas

Questão 1 (Conhecimentos Específicos: Direção: liderança, motivação e delegação)

A respeito da direção como função administrativa, assinale a alternativa correta.

  • (A) A direção é função impessoal, voltada à comparação entre resultados alcançados e padrões estabelecidos.
  • (B) A direção é a função interpessoal do processo administrativo e se realiza por meio da comunicação, da liderança e da motivação.
  • (C) A direção é exercida apenas no nível institucional, não alcançando os níveis intermediário e operacional.
  • (D) A direção antecede o planejamento no ciclo administrativo, por ser a função que define os objetivos organizacionais.
  • (E) A direção corresponde ao agrupamento lógico das atividades e à definição de autoridades e responsabilidades.
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Gabarito: B. A direção é a única função interpessoal do ciclo administrativo e se concretiza por três meios: comunicação, liderança e motivação. A comparação entre resultados e padrões é conteúdo do controle, e o agrupamento lógico de atividades com definição de autoridade e responsabilidade é conteúdo da organização. Também erra a opção que restringe a direção ao nível institucional, pois ela se distribui pelos três níveis, recebendo os nomes de direção, gerência e supervisão de primeira linha. E a direção não antecede o planejamento: o ciclo começa por planejar, que é a função que define objetivos.

Questão 2 (Conhecimentos Específicos: Direção: liderança, motivação e delegação)

Acerca dos estilos básicos de liderança descritos por Lewin, White e Lippitt, assinale a alternativa correta.

  • (A) Na liderança liberal, o líder centraliza as decisões e impõe suas ordens ao grupo.
  • (B) Na liderança democrática, o líder se abstém de orientar o grupo e não exerce qualquer controle sobre as atividades.
  • (C) Na liderança autocrática, o líder incentiva a participação do grupo nas decisões e promove comunicação aberta.
  • (D) Na liderança autocrática, o líder centraliza as decisões e impõe ordens, e o trabalho tende a progredir apenas na presença do líder.
  • (E) Os três estilos são excludentes, de modo que o líder que adota um deles fica impedido de recorrer aos demais em qualquer situação.
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Gabarito: D. A liderança autocrática se caracteriza pela centralização das decisões e pela imposição de ordens, com trabalho que avança sobretudo sob a presença do líder. As opções que atribuem essa característica ao estilo liberal e que descrevem o autocrático como participativo trocam os estilos entre si. O estilo em que o líder se abstém de orientar e não exerce controle é o liberal, e não o democrático. Por fim, os estilos não são excludentes: espera-se que o líder combine comportamentos conforme a situação, ideia que a abordagem situacional desenvolveu.

Questão 3 (Conhecimentos Específicos: Direção: liderança, motivação e delegação)

Tendo por norte a teoria dos dois fatores de Frederick Herzberg, assinale a alternativa correta.

  • (A) Salário, condições físicas de trabalho e políticas da organização são fatores motivacionais e, quando adequados, produzem satisfação duradoura.
  • (B) Reconhecimento, responsabilidade e crescimento profissional são fatores higiênicos e apenas evitam a insatisfação.
  • (C) A teoria sustenta que o oposto da satisfação é necessariamente a insatisfação, não existindo estado intermediário.
  • (D) Os fatores higiênicos são intrínsecos ao conteúdo do trabalho, enquanto os motivacionais são extrínsecos e ligados ao ambiente.
  • (E) Os fatores higiênicos são extrínsecos e, quando adequados, evitam a insatisfação sem gerar motivação, ao passo que os fatores motivacionais são intrínsecos e produzem satisfação.
Ver gabarito comentado

Gabarito: E. A separação de Herzberg é exatamente essa: os fatores higiênicos são extrínsecos, ligados ao contexto do trabalho, e a sua adequação apenas neutraliza a insatisfação; os motivacionais são intrínsecos, ligados ao conteúdo do trabalho, e são os únicos capazes de gerar satisfação. Por isso erram tanto a opção que classifica salário e políticas da organização como motivacionais quanto a que classifica reconhecimento e crescimento como higiênicos, e também a que inverte a natureza intrínseca e extrínseca dos dois grupos. Erra ainda a opção que nega o estado intermediário, já que a teoria sustenta que o oposto da satisfação é a ausência de satisfação, e não a insatisfação.

Questão 4 (Conhecimentos Específicos: Direção: liderança, motivação e delegação)

Sobre liderança, motivação e delegação, analise as afirmativas a seguir.

I. O poder de referência decorre da identificação dos liderados com o líder, e não da posição hierárquica por ele ocupada.

II. Na teoria da expectativa de Vroom, a motivação depende da expectativa, da instrumentalidade e da valência atribuída à recompensa.

III. Ao delegar uma atribuição, o delegante transfere integralmente a responsabilidade pelo resultado, nada lhe podendo ser exigido depois.

IV. A teoria Y de McGregor parte do pressuposto de que o trabalho é natural e de que as pessoas são capazes de autodireção.

Assinale a alternativa correta.

  • (A) I e III, apenas.
  • (B) II e III, apenas.
  • (C) III e IV, apenas.
  • (D) I, II e IV, apenas.
  • (E) I, II, III e IV.
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Gabarito: D. As afirmativas I, II e IV estão corretas: o poder de referência nasce da identificação e da admiração, e não do cargo; a teoria da expectativa combina expectativa, instrumentalidade e valência; e a teoria Y pressupõe pessoas capazes de autodireção e de assumir responsabilidades. O erro está na assertiva sobre delegação: transferem-se a atribuição e a autoridade necessária, mas quem delegou continua respondendo pelo resultado perante o seu superior, de modo que a responsabilidade final não se extingue. As combinações que incluem essa afirmativa ficam prejudicadas.

Questão 5 (Conhecimentos Específicos: Direção: liderança, motivação e delegação)

Acerca do processo decisório nas organizações, assinale a alternativa correta.

  • (A) Decisões programadas são as que enfrentam problemas inéditos e exigem análise aprofundada, predominando no nível estratégico.
  • (B) Decisões não programadas são rotineiras e estão documentadas em manuais e procedimentos padronizados.
  • (C) Decisões programadas são rotineiras e apoiadas em procedimentos preestabelecidos, predominando no nível operacional, ao passo que as não programadas enfrentam situações excepcionais e exigem mais informação e análise.
  • (D) A condição de certeza é aquela em que o gestor não dispõe de informações suficientes sobre as consequências das alternativas.
  • (E) O modelo racional de decidir dispensa a análise de alternativas, apoiando-se na primeira solução que ocorre ao gestor.
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Gabarito: C. A distinção correta contrapõe a decisão programada, rotineira, apoiada em manuais e procedimentos e predominante no nível operacional, à decisão não programada, excepcional, sem precedente claro e exigente de mais informação e análise. As duas opções que descrevem cada espécie com as características da outra invertem o conceito. Erra também a definição de certeza apresentada, que na verdade corresponde à incerteza, pois a certeza pressupõe conhecimento completo das consequências de cada alternativa. E o modelo que se apoia na primeira solução que ocorre ao gestor é o intuitivo, não o racional, que exige análise e comparação de alternativas.

Questão 6 (Conhecimentos Específicos: Tabela de temporalidade, avaliação e destinação de documentos)

Acerca da tabela de temporalidade de documentos, assinale a alternativa correta.

  • (A) A tabela de temporalidade resulta da atividade de avaliação, determina os prazos de guarda em cada arquivo e a destinação final dos documentos, e deve ser aprovada por autoridade competente.
  • (B) A tabela de temporalidade é elaborada na fase de produção e independe de qualquer aprovação.
  • (C) Existe uma tabela de temporalidade nacional única, de observância obrigatória por todos os órgãos públicos e privados do país.
  • (D) A tabela de temporalidade indica apenas os documentos a eliminar, sem tratar dos que serão recolhidos à guarda permanente.
  • (E) A tabela de temporalidade é elaborada por comissão temporária, dissolvida imediatamente após a sua aprovação.
Ver gabarito comentado

Gabarito: A. A tabela de temporalidade resulta da avaliação, fixa prazos de guarda em cada arquivo, define a destinação final e depende de aprovação por autoridade competente. Dizer que é elaborada na fase de produção e que dispensa aprovação contraria esses dois elementos. Não existe tabela nacional única, pois a tabela é específica de cada órgão, elaborada conforme suas normas internas e a legislação aplicável. Ela não trata apenas do que se elimina, já que registra também o recolhimento à guarda permanente. E a comissão responsável é permanente, e não temporária.

Questão 7 (Conhecimentos Específicos: Tabela de temporalidade, avaliação e destinação de documentos)

Sobre a avaliação documental e os valores atribuídos aos documentos, assinale a alternativa correta.

  • (A) A avaliação é atividade típica do arquivo permanente, no qual se decide a eliminação dos documentos já recolhidos.
  • (B) O valor primário é o interesse histórico e informativo do documento para a pesquisa e a memória institucional.
  • (C) A avaliação desenvolve-se nas fases corrente e intermediária, cabendo à comissão permanente de avaliação de documentos, e identifica os valores primário e secundário do documento.
  • (D) Todo documento adquire, ao final do prazo de guarda, valor secundário, razão pela qual a eliminação é medida excepcional.
  • (E) Avaliar é sinônimo de eliminar, pois a avaliação sempre culmina no descarte do documento.
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Gabarito: C. A avaliação ocorre nas fases corrente e intermediária, é conduzida pela comissão permanente de avaliação de documentos e identifica os valores primário e secundário. Afirmar que é atividade típica do arquivo permanente inverte a lógica do ciclo, pois o documento só chega ao permanente depois de avaliado. O interesse histórico e informativo caracteriza o valor secundário, e não o primário, que é o do uso administrativo, legal ou fiscal. Nem todo documento adquire valor secundário, e por isso a eliminação não é medida excepcional. E avaliar não é sinônimo de eliminar, porque a avaliação pode concluir pelo recolhimento.

Questão 8 (Conhecimentos Específicos: Tabela de temporalidade, avaliação e destinação de documentos)

A respeito da eliminação de documentos produzidos por instituições públicas, assinale a alternativa correta.

  • (A) A eliminação é decidida isoladamente pelo setor produtor, que conhece melhor a utilidade dos documentos.
  • (B) A eliminação será realizada mediante autorização da instituição arquivística pública, na sua específica esfera de competência.
  • (C) A eliminação dispensa qualquer forma de publicidade, por se tratar de ato interno da Administração.
  • (D) A eliminação pode recair sobre documentos de valor permanente, desde que microfilmados previamente.
  • (E) A eliminação independe de listagem prévia, bastando o registro em termo lavrado após o descarte.
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Gabarito: B. O art. 9.º da Lei n.º 8.159/1991 condiciona a eliminação de documentos produzidos por instituições públicas e de caráter público à autorização da instituição arquivística pública, na sua específica esfera de competência. Por isso a decisão não cabe isoladamente ao setor produtor. A publicidade é exigida por meio do edital de ciência de eliminação, que abre prazo para requerimentos de interessados. Documentos de valor permanente não podem ser eliminados nem mesmo após microfilmagem. E a eliminação pressupõe listagem prévia submetida a aprovação, não bastando o termo lavrado depois do descarte.

Questão 9 (Conhecimentos Específicos: Tabela de temporalidade, avaliação e destinação de documentos)

Julgue os itens a seguir, sobre prazos de guarda e destinação documental, atribuindo (V) para verdadeiro e (F) para falso.

( ) Os prazos de guarda podem ter caráter prescricional ou precaucional.

( ) A passagem pelo arquivo intermediário é obrigatória para todos os documentos antes do recolhimento ao arquivo permanente.

( ) A decisão de destinação final é irrevogável, de modo que o documento recolhido à guarda permanente não pode ser posteriormente eliminado.

( ) A coluna de observações da tabela de temporalidade registra orientações complementares, como a determinação de microfilmagem prévia à eliminação.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.

  • (A) F, V, F, V.
  • (B) V, F, V, V.
  • (C) V, V, F, F.
  • (D) F, F, V, V.
  • (E) V, V, V, F.
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Gabarito: B. O primeiro item é verdadeiro, pois os prazos podem ser prescricionais, decorrentes de prazo legal, ou precaucionais, fixados por cautela. O segundo é falso: há documentos que passam diretamente do arquivo corrente à guarda permanente, sem transitar pelo intermediário, como a legislação de pessoal do exemplo clássico. O terceiro é verdadeiro, porque a destinação é irrevogável e o documento recolhido à guarda permanente não pode ser eliminado depois. O quarto também é verdadeiro, já que a coluna de observações registra justificativas e procedimentos especiais, como a microfilmagem prévia. A sequência é, portanto, verdadeiro, falso, verdadeiro e verdadeiro.

Questão 10 (Conhecimentos Específicos: Tabela de temporalidade, avaliação e destinação de documentos)

Quanto à microfilmagem, à digitalização e à estrutura da tabela de temporalidade, assinale a alternativa INCORRETA.

  • (A) A microfilmagem e a digitalização são formas de alteração de suporte, e não formas de destinação documental.
  • (B) A coluna de código da tabela de temporalidade corresponde à classificação do documento e organiza-se do geral para o específico.
  • (C) A coluna de assunto descreve o documento segundo sua função, atividade ou tipo documental.
  • (D) Os documentos de valor permanente devem ter o original preservado ainda que reproduzidos em microfilme ou em meio digital.
  • (E) A digitalização do documento autoriza, por si só, a eliminação imediata do original, independentemente de previsão na tabela de temporalidade e de autorização da instituição arquivística pública.
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Gabarito: E. A afirmação de que a digitalização autoriza por si só a eliminação imediata do original é a incorreta pedida pela questão. A eliminação depende de previsão na tabela de temporalidade e de autorização da instituição arquivística pública, e a alteração de suporte não substitui esses requisitos. As demais opções estão corretas: microfilmagem e digitalização são alterações de suporte e não destinações; a coluna de código corresponde à classificação e vai do geral ao específico; a coluna de assunto descreve o documento por função, atividade ou tipo documental; e o original de valor permanente deve ser preservado mesmo após reprodução.

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